Como vivenciamos nossas cidades

Na maior parte da minha vida vivenciei a cidade a pé. Morava perto do centro da cidade, então até mesmo quando queria ir para lá, era a pé. No máximo pegava um ônibus em dias quentes ou chuvosos. As escolas onde estudei até concluir o ensino técnico, todas perto, então eu ia a pé. Mercados, lojas, lotéricas, lancherias, restaurantes, todos perto, então, tudo a pé (salvo algumas exceções quando meus pais queriam ir de carro).

Quando completei 18 anos fiz minha carteira de motorista, mas não dirigi muito não. Não tinha veículo, então dirigia pouquíssimas vezes. E por isso minha maneira de vivenciar a cidade ainda era na maior parte do tempo a pé, ou então na carona de algum carro, moto ou como passageira de algum ônibus/lotação.

Logo após o nascimento do meu primeiro filho, mudei de cidade, mas continuei vivenciando a cidade da mesma maneira, só que agora era outra cidade. Morando longe do centro, comecei a perceber que o deslocamento a pé não mais supria 100% das minhas necessidades. Utilizava muito mais os serviços de transportes públicos, como ônibus, lotação e trem. O tempo foi passando e acabei ficando 7 anos sem dirigir, quando finalmente consegui comprar um carro.

Consigo perceber claramente que a minha vivencia nas cidades está dividida em três períodos. Generalizando, o primeiro vivenciando a pé, o segundo vivenciando de transporte público, e o terceiro vivenciando de carro. (generalizando, pois não deixo de me mover a pé, ou de ônibus, trem, bicicleta…).

O que quero é comparar o tipo de vivencia que tive em cada um desses períodos. Quando pedestre, eu pensava o seguinte: ”poxa, estou aqui torrando no sol, porque o motorista que está com o condicionador de ar ligado não para o carro e me deixa atravessar a rua?”, agora como motorista eu penso: ”faltam 10 segundos para fechar o semáforo, se eu deixar o pedestre atravessar agora, vou ficar parado 2 minutos, então ele pode esperar 10 segundos”.






No último ano houveram algumas mudanças no centro da cidade em que moro. Foram adicionadas faixas elevadas, alguns avanços nos passeios públicos, canteiro central elevado e inclusão de mais faixas de pedestres ao longo da avenida principal… tudo pensado para melhorar as condições dos pedestres, e isso é bom! Além disso alguns semáforos foram trocados por semáforos temporizados, o que, no meu ponto de vista, faz com que o trânsito flua melhor e que o pedestre tenha mais segurança ao atravessar as vias, pois cada um sabe o tempo que terá para andar.

Ainda que tenham feito essas modificações, o trânsito não flui maravilhosamente, pois os veículos continuam avançando no sinal vermelho, desrespeitando as faixas de segurança… assim como os pedestres continuam atravessando a qualquer momento e em qualquer lugar (as vezes parece que eles vertem do chão, haha), também desrespeitando os motoristas…

Enfim, minha reflexão é que, vivenciando a cidade de maneiras diferentes o nosso pensamento também é diferente em cada uma delas, então podemos perceber enquanto motoristas como aquele pedestre se sente torrando no sol ou se molhando na chuva, e enquanto pedestres entender que os motoristas tem tudo cronometrado por semáforos e faixas de segurança (entre outros exemplos). Ou seja, o que nos falta é EMPATIA! Assim tudo seria mais fácil e mais leve!


ASSINATURA_VANESSA17


Uma região produtora de algodão, de café ou de trigo. Uma paisagem urbana ou uma cidade do tipo europeu ou de tipo americana. Um centro urbano de negócios e as diferentes periferias urbanas. Tudo isso são paisagens, formas mais ou menos duráveis. O seu traço comum é ser a combinação de objetos naturais e de objetos fabricados, isto é, objetos sociais, e ser o resultado da acumulação da atividade de muitas gerações. (…) A paisagem nada tem de fixo, de imóvel. Cada vez que a sociedade passa por um processo de mudança, a economia, as relações sociais e políticas também mudam, em ritmos e intensidades variados. A mesma coisa acontece em relação ao espaço e à paisagem que se transforma para se adaptar às novas necessidades da sociedade.
(Santos, Milton. Da Sociedade à Paisagem: O Significado do Espaço do Homem, in Pensando o Espaço do Homem. São Paulo. Edusp. 5a. edição. 2004. p.53-54) 

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