Farnsworth de acordo com os Métodos de Mahfuz – Nada provém do Nada

Análise da obra CASA FARNSWORTH de acordo com os  métodos de Edson da Cunha Mahfuz, no texto Nada Provém do Nada, que foram descritos no post Nada Provém do Nada _ de Edson da Cunha Mahfuz

CASA FARNSWORTH, Illinois, Estados Unidos – 1945-51. Arquiteto: Mies Van Der Rohe

A Casa Farnsworth foi projetada para ser uma casa de final de semana para a médica Edith Farnsworth, em Illinois nos Estados Unidos. Nesta residência, Mies segue o minimalismo e os traços limpos existentes em suas demais obras, compondo um bloco de vidro com a estrutura bem marcada e uma forte relação entre o indivíduo, o seu abrigo e a natureza.


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Podemos perceber que essa residência rompe a tradição e resolve um problema de maneira oposta a convencional, sendo considerada uma habitação-manifesto, encaixando-se no Método Inovativo – descrito por Mahfuz no texto Nada provém do nada – que consiste em um grupo de analogias. Nesta obra o verbo ‘’morar’’ se mistura ao ‘’integrar’’. A integração ocorre tanto no interior – com o uso de planta livre onde apenas o espaço destinado às instalações sanitárias possui fechamento sólido – quanto no exterior – criando uma forte relação com o exterior da edificação. Portanto, ocorre uma inversão de procedimentos ou analogia negativa à tradicional residência com as típicas paredes e quartos individualizados.

Outro método que é possível destacar, pelo mesmo motivo, é o Tipológico, onde o ‘’tipo residência’’ possui um uso a-histórico quando Mies propõe o uso de moradia em uma edificação projetada de maneira diferente a que vinha sendo trabalhada normalmente, propondo um espaço mais aberto e com forte relação com o exterior, quando as demais residências eram introvertidas e reservadas.

O revestimento de vidro a tornou uma edificação leve e transparente, que proporciona – além de integração – uma sensação de amplitude ao interior da residência.


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O projeto foi desenvolvido a partir de uma estrutura básica em perfis metálicos regrados por uma malha estrutural de aproximadamente 6x6m, percebida claramente em suas planta baixa e fachada, portanto esta obra se enquadra também no Método Normativo de Sistema de Coordenadas que consiste em linhas que se cruzam, normalmente em 90 graus, com dimensão constante, seja bi ou tridimensional.

Em relação ao volume, a composição da residência é constituída por um prisma, que é uma variação do elemento cubo, referenciando então ao Sistema de uso das Formas Geométricas Elementares, também dentro do Método Normativo.


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“Essas casas são como grandes cristais colocados na natureza. A arte da subtração até a extrema simplicidade da aparência permite que se perceba melhor a beleza pura dos volumes”. Blaser ao se referir às residências térreas de Mies van der Rohe.


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Outro projeto onde podem ser observadas algumas dessas relações é a casa mcCormick, de 1952, que com um espaçamento reduzido entre os pilares, lembra a estrutura e a fachada da Casa Farnsworth.


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Referência: MAHFUZ, E. da C. Nada provém do nada: A produção da arquitetura vista como transformação de conhecimento.
Revista Projeto, São Paulo, nº 69, p. 89-95, nov., 1984.


 

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