PERCEPÇÃO URBANA

O vídeo desta segunda-feira retrata as diversas perspectivas que podemos ter da cidade ao andarmos por ela, seja de carro, bicicleta ou a pé mesmo. Podemos perceber o quanto o cenário vai mudando conforme o carro vai avançando nas vias de Paris.

Para ilustrar melhor o que o vídeo representa para a arquitetura e o urbanismo, relacionamos o vídeo ”Snow Patrol – Open Your Eyes” com a Teoria de Percepção Urbana de Gordon Cullen (Livro: CULLEN, Gordon. The Concise Townscape. 1961).



De acordo com Cullen, a ”paisagem urbana é a arte de tornar coerente e visualmente organizado o emaranhado de edifícios, ruas e espaços que constituem o ambiente urbano”. Conforme andamos por uma rua podemos verificar quantos detalhes existem e como vão se modificando conforme a mudança do ponto do observador, ‘”um conjunto de edifícios adquire um poder de atração visual, nele ocorrem fenômenos que dificilmente poderão ser verificados em um edifício isolado… uma construção isolada no meio do campo dá-nos a sensação de estarmos perante uma obra de arquitetura, mas um grupo de construções imediatamente sugere a possibilidade de criar uma arte diferente”.

Devemos então encarar a cidade como objeto da percepção dos seus habitantes. De acordo com Kohlsdorf, esta percepção irá captar informações do ambiente através de mecanismo sensoriais (visão, audição, olfato, tato…).

A arte do relacionamento: reunir elementos que criam um ambiente.

– edificações, espaços abertos, árvores, água, circulações, mobiliário urbano, entre outros…






Para Cullen, existe uma relação entre o usuário e o ambiente, que se divide em:

– Visão serial

A paisagem ambiental surge, na maioria das vezes, como uma sucessão de surpresas ou revelações súbitas, a partir do percurso de um transeunte – TEMPO/ESPAÇO.

Durante um percurso temos várias imagens separadas e únicas conforme o nosso deslocamento.

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– Questão Local

Nossa reação depende da nossa posição relativa no espaço. Sensações e reações provocadas por espaços abertos e fechados.

Ponto focal: símbolo da convergência, pois define a situação e orienta.

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Torre Eiffel – Paris, França

Perspectiva grandiosa: sensação de domínio da paisagem.

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Vista dos jardins do Palácio de Versalhes – França

 Perspectiva delimitada: enquadra um edifício e nos convida a contemplá-lo.

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Panthéon – Paris, França

Ondulação e delimitação: desvio de um eixo criando novas situações de percepção (luz, sombra, proximidade e distância…).

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Edificação em Bath – Inglaterra

Estreitamento: aproximação de dois grupos compactos de edificações resulta numa espécie de pressão numa proximidade com os detalhes.

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Rua – República Tcheca

– Conteúdo

Trata da constituição da cidade com suas variações construtivas e de atividades (cores, texturas, escalas, estilos…).

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EXEMPLO DE TÉCNICA DE ANÁLISE VISUAL – SEQUENCIAL

Analisar visualmente de forma sequencial – identificar os campos visuais que ocorrem ao longo de um percurso e os efeitos visuais mais expressivos.

Efeitos topológicos: percebidos pelo observador ao experimentar fisicamente um espaço, vinculando-se à orientação e à extensão do próprio corpo do indivíduo observador: à frente, acima, à esquerda, apertado, largo, estreito, alto, baixo, etc.

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Efeitos perspectivos: são relacionados com o campo visual do observador, é onde as dimensões são alteradas, onde ocorrem as “ilusões óticas”

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FONTE:

CULLEN, Gordon. Paisagem Urbana. São Paulo, Martins Fontes, 1971.

KOHLSDORF, Maria Elaine. Manual de Técnicas de Apreensão do Espaço Urbano. UnB, Brasília, 1994.

KIRSHENMANN, Jörg C., Vivienda e Espacio Público. Gustavo Gilli, Barcelona, 1985.


Abaixo tem alguns croquis relacionados ao filme que fiz para a disciplina de Seminário de Interação VIII.

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ASSINATURA_VANESSA17


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