COBERTURAS VERDES: RESFRIAMENTO URBANO

Nos últimos tempos temos ouvido falar muito em ilhas de calor. Efeitos como a diminuição das árvores existentes nas áreas urbanas, a crescente impermeabilização do solo, o aumento da poluição e outros fatores facilitam o surgimento deste fenômeno. Dessa forma, atitudes devem ser tomadas e uma delas é a implantação de coberturas sustentáveis nas edificações.


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Cobertura verde Cingapura. Projeto do arquiteto inglês Guz Wilkinson. 


Coberturas verdes são o resultado da aplicação de cobertura vegetal em lajes e telhados de casas e edifícios, feitos sempre com sistemas eficientes de impermeabilização e drenagem. As vantagens que podemos enumerar são: melhora nas condições termo-acústicas da edificação, muitas vezes dispensando a utilização de equipamentos de climatização, manutenção da umidade relativa do entorno da edificação, purificação do ar ao redor do prédio, criação de um micro-ecossitema atraindo a presença de várias espécies de aves e borboletas para a cobertura, e ainda oferece aos usuários do edifício o contato com a natureza que tantas vezes nos é privado nas grandes cidades.   É importante ressaltar que antes de se fazer a instalação do telhado verde é necessário garantir a resistência da estrutura que receberá a cobertura, além de prever a declividade correta da mesma.


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Camadas de um dos tipos de cobertura verde. 


Além de ser mais interessante se escolher a diversidade das espécies para se manter o aspecto agradável do jardim suspenso durante todas as épocas do ano, é importante escolher qualidades de plantas que:

– Resistam bem a altos níveis de radiação solar, quantidade de chuvas e/ou períodos de seca;

– Tenham raízes que não danifiquem o sistema de impermeabilização,

− Sobrevivam em solos rasos e pobres e que tenham melhor retenção de água;

− Não forneçam abrigo a animais perigosos e/ou que transmitam doenças (como plantas que servem de abrigo para a proliferação das larvas do mosquito transmissor da dengue);

A junção de sustentabilidade e arquitetura nunca esteve tão forte como agora, de modo que práticas que promovam economia da água ou energia são sempre bem vindas. A aplicação de placas para captação de energia solar também é de grande ajuda, pois auxiliam as edificações no consumo de energia limpa e também absorvem o calor da cobertura das edificações. O painel solar consiste em células fotovoltaicas que absorvem a energia solar e geram a eletricidade.






 

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Cobertura com vegetação + painéis fotovoltaicos =  resfriamento da edificação e geração de energia limpa


 A captação de água também pode ser desenvolvida a partir de coberturas verdes e é uma prática que vem sendo muito adotada nesse período de seca que o país está sofrendo. A vegetação e as demais camadas empregadas nesse sistema podem servir de filtro inicial das impurezas da água da chuva, que pode ser armazenada de forma a ser empregada nas descargas no banheiro, lavar o quintal ou molhar as plantas.


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Interior do sistema de captação de água. 5

Esquema exemplificando o modo como a água pode ser captada para reutilização


A questão das coberturas sustentáveis tem se tornado tão evidente e eficiente que alguns locais estão criando leis que obrigam esse tipo de estratégia em determinadas tipologias. A França, por exemplo implementou em março deste ano que todos os novos edifícios comerciais deveriam implantar coberturas verdes ou painéis solares. Segundo o jornal inglês The Gardian ativistas reivindicaram que todos os edifícios deveriam entrar para a nova legislação, inclusive os residenciais. Entretanto, o parlamento julgou que esta imposição seria muito cara para os consumidores residenciais. Tal medida faz parte da estratégia energética do governo em diminuir em 75% a dependência das usinas nucleares, que são extremamente agressivas ao meio ambiente. A ideia é que em 2030 o país tenha 32% se sua capacidade energética renovável.


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Obra Atelier Madec na França. Telhado recoberto por painéis fotovoltaicos.  


A criação de leis desse caráter não é algo exclusivo de outros países, sendo que no Brasil também está sendo adotado. A capital de Pernambuco, Recife, tomou uma decisão parecida com a dos franceses. A lei municipal 18.112/2015 obriga novos edifícios residenciais com área coberta maior de 500m² e que tenham acima de 4 pavimentos a terem telhados verdes.

Em entrevista para o Jornal do Comércio, André Rosemberg,  morador de Recife e dono do Bar Central, diz que optou por implantar a cobertura verde antes mesmo da aprovação da lei, cultivando no telhado do local grama, hortaliças (que são usadas na cozinha) e pés de pitanga, maracujá, limão, acerola e laranja, que fazem um isolamento acústico e visual de sua área de serviço. Diz com orgulho que a ideia deveria ser padrão para todos os lugares e que os vizinhos adoraram a presença dos pássaros e da vista bonita.


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Telhado Verde do Bar Central

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Visão da cobertura  


POST ELABORADO POR

Arquiteta Bianca Pereira Sarmento tem 23 anos, ama cachorros, é arquiteta e urbanista, leitora assídua de quadrinhos e literatura, adoradora de cultura-pop e escritora por acidente.

As informações que constam na postagem são de responsabilidade de seu autor.


 

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