CASA SCHMITT-PRESSER – HISTÓRIA E PRESERVAÇÃO

Museu Comunitário – Casa Schmitt-Presser

O Museu está abrigado em uma antiga edificação tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional. Neste prédio existia uma venda de colônia e a residência do imigrante João Pedro Schmitt, considerado o Fundador de Novo Hamburgo.

A Casa foi declarada de Utilidade Pública pela Prefeitura Municipal em 1981, e tombada como Patrimônio Histórico Nacional em 1985, pela SPHAN, atual IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Já em 1990, são inciadas as obras de recuperação pela Prefeitura de Novo Hamburgo, e em 1992, liberada à comunidade.

O tombamento foi concedido graças ao empenho do artista Ernesto Frederico Scheffel em preservar prédios históricos do município. Em maio deste ano (2015), uma área importante do Bairro Hamburgo Velho com mais de 60 imóveis, foi oficialmente tombada como Patrimônio Histórico Nacional, como consta no DOU (Diário Oficial da União) no dia 08/05/2015.

Fiz um post explicando o tombamento do conjunto, leia mais CLICANDO AQUI.


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‘’A IMIGRAÇÃO – A localização de imigrantes germânicos no Sul do País, em 1824, atendia a dois objetivos fundamentais do recém independente Império do Brasil: garantia a posse dos territórios através do povoamento e a colonização; introduzia uma nova mentalidade no que se refere à posse da terra, produção e mão-de-obra, contrapondo-se aos latifúndios, monocultores e escravocratas que existiam no restante do país. 

            Por iniciativa do Governo Imperial, foi criada a colônia de São Leopoldo, nas terras da Real Feitoria do Linho Cânhamo. Inicialmente os lotes coloniais tinham cerca de 77 hectares e eram doados às famílias imigrantes. Com o passar do tempo a área foi reduzida para 48 hectares. Em 1851, a 25 hectares e a partir de 1889, os lotes passaram a ser vendidos. De colônia agrícola – onde a imigração introduzia a pequena propriedade, a mão-de-obra livre, as culturas diversificadas desenvolveu o comércio – a região onde hoje encontra-se Novo Hamburgo especializou-se na produção coureiro-calçadista.’’

citação: http://www.scheffel.com.br/www2/casaschmitt.htm


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Texto que consta em um quadro na Casa:

”O povo de Hamburgerberg, núcleo inicial de Novo Hamburgo, teve sua origem nas casas comerciais e de artefatos que se estabeleceram no entroncamento de importante estradas do séculos passado: o Caminho das Tropas, que vinha dos Campos de Cima da Serra e a Estrada do Norte, desde as Picadas de Dois Irmãos, Bom Jardim e Travessão. Essas vias encontravam-se para, logo em seguida, dividirem-se rumo ao sul – via São Leopoldo – e em direção ao oeste – via Porto dos Guimarães (São Sebastião do Caí).

Confluência de caminhos, o povoado cresceu espontaneamente com ruas estreitas, largos, becos, praças, casario e quintais.

Em 1857, seria a sede do 4 Distrito e São Leopoldo com o nome de Nossa Senhora da Piedade do Hamburgerberg. Quando em 1927, Novo Hamburgo se emancipou, o antigo núcleo, então já denominado Hamburgo Velho, passou a 2 Distrito do recém criado município.

Hoje, Hamburgo Velho é um bairro da cidade, que preserva uma rica paisagem urbana onde as referências da imigração alemã ainda persistem.”


Johan Peter Schmitt nasceu em Bechenheim Hessem, em 8 de junho de 1801. Chegou à colônia de São Leopoldo aos 24 anos, com a mãe e cinco irmãos. Inicialmente dedicou-se a navegação no Rio dos Sinos, mas em 1830 estabeleceu-se como comerciante em Hamburger Berg. Era influente na região e seu nome identificava o lugar. Foi escolhido para exercer as funções de Inspetor para Estância Velha, Bom Jardim e Campo Bom (cidades vizinhas de Novo Hamburgo), e em 1861 foi eleito Juiz de Paz da Capela da Piedade de Hamburger Berg. Colaborou nas obras de igrejas, escolas e iniciativas comunitárias. Faleceu em 16 de junho de 1868, aos 67 anos.


As ‘’vendas’’ eram locais muito procurados, nelas eram feitas operações comerciais, trocas de informações e encontros sociais. Os vendeiros eram pessoas influentes que tinham contato direto e frequente com as pessoas. Eram bem informados e controlavam as transações econômicas dos colonos.

A venda de Schmitt funcionava com armazém de secos e molhados, drogaria, armarinho, papelaria, bar, casa de ferragens e como uma espécie de ‘’agência bancária’’.

Após a morte de Schmitt, a venda continuou aberta, sob os cuidados de sua espeosa Catharina. E no ano de 1920 a casa foi alugada para abrigar a Padaria Reiss. Após, com o rebaixamento da rua, o prédio ganhou mais um pavimento, e neste espaço Edwino Rodolfo Presser, casado com uma neta de Schmitt, reabriu o comércio, vendendo tecidos, miudezas e alguns produtos de armazém, até 1973.


Visitei a Casa Schmitt-Presser em 2013 e fiquei maravilhada. É uma casa simples, mas chama atenção pela técnica utilizada na construção.

A casa foi construída na primeira metade do século XIX, sendo um dos mais antigos prédios feitos com a técnica enxaimel, característica das áreas de imigração alemã.

‘’Neste sistema construtivo, as paredes são formados por um tramado de madeira onde as peças horizontais, verticais e inclinadas são encaixadas entre si e os vãos, posteriormente, são preenchidos com taipa, adobe, pedra ou tijolo. Esta casa é notável por ser uma das únicas construções em enxaimel, no Estado, onde há remanescentes de taipa nas vedações das paredes externas. Internamente, a maior parte das paredes, também ,foi assim construída. As peças estruturais são em madeira falquejada, demonstrando sua antiguidade.’’


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‘’Em 1923, com o rebaixamento da rua, aos alicerces originais foram acrescentadas grossas paredes de pedra e tijolo. A construção ganhou assim mais um pavimento. As várias ocupações, ao longo dos anos, submeteram a casa a modificações, dificultando a identificação precisa de funções e aspectos físicos originais. Os anexos de uma cozinha e o forno do padeiro Reiss, nos fundos, haviam sido demolidos em 1975, antes da intervenção de Scheffel.’’


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Texto e imagens por:

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Fonte: http://www.scheffel.com.br/www2/casaschmitt.htm


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