Bagé – Museu Dom Diogo de Souza

Antes de falar sobre o prédio do museu, gostaria de relatar resumidamente a importância histórica do município de Bagé (para que entendam porque o prédio teve usos diferentes ao longo dos anos)…
Bagé foi palco de acontecimentos históricos do Rio Grande do Sul e do Brasil. Seus campos foram alvos de disputas entre índios, portugueses e espanhóis, tendo acontecido também fatos importantes da Guerra Cisplatina e das Revoluções Farroupilha e Federalista.
(tem muuuuuito mais história, veja em http://www.ferias.tur.br/informacoes/7439/bagers.html)
NOME DO MUSEUDom Diogo de Souza foi o fundador do município de Bagé (e de Torres); além de Vice-rei da Índia, Ministro da guerra do Rei de Portugal D. miguel, Primeiro Governador Geral do Rio Grande do Sul, Governador do Norte do Brasil.



Esta é uma das construções mais antigas e belas de Bagé. Um prédio imponente, com planta baixa em formato de ”C”, obtendo uma espécie de pátio interno gramado. Em seu acesso há uma longa escadaria com guarda-corpo constituído por balaústres, e no final da mesma, um busto do escritor português Luiz Vaz de Camões.


 
 
 
 

Possui mais de um estilo arquitetônico, como arquitetura colonial nas janelas, clássica na sua fachada (colunas da ordem Compósita – embora a placa cite apenas a ordem Coríntia, o capitel possui uma mistura das volutas Jônicas com folhas de acanto Coríntias) e barroca em seu portão de entrada rico em detalhes. (Isto talvez tenha ocorrido devido ao fato de que os prédios de instituições assistenciais possuíam dificuldades financeiras, sendo iniciados em um estilo e concluídos em outro.)

Teve vários usos durante o século passado, mas após 1914 finalmente serviu para seu propósito inicial, abrigando um hospital para auxiliar os portugueses residentes em Bagé.



Abaixo temos o texto contido em uma placa que fica junto ao portão de acesso do museu:

”O prédio que abriga o museu pertence a Sociedade Portuguesa de Beneficência, que foi fundada em
27 de novembro de 1870 – com o objetivo de auxiliar os portugueses residentes em Bagé – obteve do Governo Provincial do Estado do Rio Grande do Sul, o terreno para a construção do hospital, lançando sua pedra fundamental em 09 de julho de 1871. Suas obras iniciaram por volta de 1875. No princípio foi alugado para o Exército Brasileiro, para servir como Hospital Militar da Guarnição de Bagé.
Durante a Revolução Federalista (1893-1895) foi ocupado pelos revolucionários, tendo parte de seus documentos, estatutos e plantas do prédio queimados por um incêndio.
A sua arquitetura relembra o Palácio de Queluz, em Portugal, no qual nasceu e morreu Dom Pedro I, Imperador do Brasil. Tem como principais características de sua obra arquitetônica: o frontão, o escudo português barroco, colunas de estilo Coríntio, janelas de guilhotina com caixilhos pequenos. É um conjunto que proporciona a harmonia dos detalhes de sua construção, ao final de sua escadaria encontra-se um busto em homenagem ao poeta português Luiz Vaz de Camões.
Após a reforma realizada em 1974-1975 pela Prefeitura Municipal de Bagé, foi transferido para seus espaços o Museu Dom Diogo de Souza, pertencente a Universidade da Região da Campanha (URCAMP).
Atualmente o museu conta com um acervo com mais de 2.000 obras que retratam a história do Brasil, do Estado do Rio Grande do Sul, da cidade de Bagé, da região da campanha e da fronteira-oeste, como vestuário, objetos pessoais, artigos de casa e móveis. Conta ainda com duas hemerotecas (coleção de jornais) e duas fototecas (com 15.000 fotos históricas). Em seu acervo é possível encontrar objetos que contam desde o cotidiano dos indígenas que habitavam a região, até os fardamentos e armas dos grupamentos espanhóis e portugueses do século XVIII. Também podem ser encontrados documentos, cartas, fotografias e objetos da Revolução Farroupilha, da Revolução Federalista de 1893, assim como da Revolução Libertadora de 1923.”
O museu foi instalado nas dependências da Sociedade Portuguesa de Beneficência, que fica na Rua Emílio Guilayn, 759. As visitações podem ser feitas de terça a domingo, das 14 às 18h, tendo o custo de R$2,00 por pessoa (criança não paga).
As fotos internas são proibidas, mas a visita ao museu foi muito proveitosa. Levamos cerca de 2h30min para olhar as exposições que variam de acordo com as salas… tendo restos de materiais do Forte de Santa Tecla, armas, roupas, fotos e documentos das revoluções, objetos pessoais de moradores do município… enfim, é uma viagem no tempo.
…estabelecer uma ponte entre o passado e o presente.
Se ao visitar um museu, um indivíduo tentar estabelecer relações entre o acervo e sua própria época, começará a perceber que muita coisa vai ganhar sentido. Afinal, o que se construiu ontem reflete no hoje. O ser humano necessita saber sua origem, o porquê das coisas. Através do patrimônio, podemos entender os erros passados, procurar não repeti-los, aproveitar os bons feitos. Através dele é possível que o indivíduo tenha maior interação com a realidade em que vive, que seja capaz de interpretá-la; o que faz com que exerça seu papel de cidadão na sociedade. Sendo assim, fica clara a importância da salvaguarda do patrimônio. É necessário conscientizar a população, através da educação, a qual está muito ligada ao amor. Precisamos despertar este sentimento pelo patrimônio no indivíduo, ensinar a valorizá-lo, mostrar sua importância para a sociedade. Assim, os bens culturais passam a ter um significado na vida do homem, consequentemente passarão a ser cuidados e preservados. Desta forma, evitamos a alienação cultural, a falta de memória e de identidade cultural.
NERES, Rodrigo, FARIAS, Valéria. Museu: Conhecer, Construir e Aprender P@rtes (São Paulo). V.00 p.eletrônica Junho de 2009.Disponível em <www.partes.com.br/educacao/museu.asp>. Acesso em 07/09/12.
Texto por:
VANESSA
Imagens por:
VINICIUS


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Na sequência: Palacete Pedro Osório, IMBA, Casa de Cultura Pedro Wayne, Coreto, Relógio do antigo Mercado Público, entre outros…

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