Favelas e Habitação Social

A ideia aqui é retratar um pouco a questão entre o ambiente da favela e a construção de habitações de interesse social, que deveriam melhorar a vidas dos moradores locais, mas infelizmente nem sempre é isso que ocorre…
A favela é um local constituído diferentemente do restante da cidade, pois normalmente se inicia com a invasão de terrenos baldios, onde são construídas as casas ilegalmente. Estas são construídas a fim de abrigar os integrantes de cada família moradora, que por muitas vezes é quem as constrói. Aparentemente, nas favelas o ser humano possui um contato maior com tudo aquilo que está ao seu redor, com tudo aquilo que é essencial para a sua sobrevivência. As residências possuem um caráter de abrigo, de união, de família, não somente um local para morar, e sim um local para se ter aconchego, apesar de serem construídas com materiais baratos e/ou encontrados no lixo.
Visualmente as favelas são locais precários, sem planejamento, e carentes de oportunidades e condições mínimas de infraestrutura em vários aspectos (higiene, saúde, educação…). Os moradores, em sua maioria, são de baixa renda, e não possuem oportunidades para viverem de outra maneira, e, além disso, temos um problema cultural. A cidade dita “formal” é regida pelo capitalismo, onde só sobrevive quem tem dinheiro, então existe certa exclusão social – que acaba gerando a exclusão urbana – obrigando algumas pessoas a procurarem outro local e meio de sustento/sobrevivência.
A violência e o tráfico de drogas também contribuem para essa exclusão, apesar de existirem locais violentos fora, esses fatos são muito gritantes nas favelas, o que gera medo e preconceito contra os moradores e o local.
Além da má distribuição da renda, o que contribui para a formação das favelas, é a migração da população rural para o meio urbano, em busca de oportunidades de “crescimento/desenvolvimento”, fazendo com que as cidades “transbordem” de pessoas, e faltem essas tais oportunidades.
Os conjuntos de habitação social seriam uma maneira de “melhorar” a vida dos moradores das favelas. O problema é que essas melhorias são feitas a partir do ponto de vista de pessoas que não vivem, nem frequentam as favelas, então acabam criando locais que suprem as necessidades de infraestrutura, mas monótonos, repetitivos, moldados, indo contra a identidade das favelas.
O conjunto de barracos nas favelas possui uma organização desorganizada, ou desorganização organizada, enfim, não existe um planejamento para a construção das casas e ruas, elas vão surgindo de forma espontânea, conforme há necessidade, portanto está sempreem crescimento.

Os conjuntos de habitação social devem conservar e incentivar hábitos locais, que exercem o bem para aquela população, portanto fazer uma integração da favela ao restante da cidade, em busca de uma padronização, não seria a alternativa mais adequada.


“…deve oferecer para a população condições ambientais de qualidade, na qual ela possa cultivar e mesmo melhorar sua cultura urbana, ou seja, seus hábitos de viver em comunidade, exercendo seus direitos e respeitando seu próximo. Entende-se assim que o ato de morar demanda um esforço considerável em termos de educação social e ambiental, pedindo mudanças de comportamento em prol da “construção” de uma comunidade em que cada membro usufrua as vantagens oferecidas em seu conjunto habitacional, ao mesmo tempo em que contribui para a manutenção dessas qualidades ambientais, criando sua própria cultura.” (Romero; Viana, 2002, p. 71).


Uma opção seria seguir a lógica de urbanização já existente nas favelas, alterando apenas o que é realmente necessário para uma melhor condição de vida, sem causar grandes mudanças, pois são justamente as mudanças bruscas (sem considerar as características existentes) que fazem com que um conjunto de habitação de “interesse social”, acabe virando um empreendimento sem valor social para seus moradores.


Texto por:

ASSINATURA_VANESSA17


CADASTRE-SE E RECEBA NOVIDADES SOBRE O MUNDO ARQUITETÔNICO

O seu nome (obrigatório)

O seu email (obrigatório)

Facebook Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *